sexta-feira, agosto 27, 2004

Balada para uma velhinha


Música: Martinho de Assunção

Letra: Ary dos Santos


Num banco de jardim uma velhinha
está tão só com a sombrinha
que é o seu pano de fundo.
Num banco de jardim uma velhinha
está sozinha, não há coisa
mais triste neste mundo.
E apenas faz ternura, não faz pena,
não faz dó,
pois tem no rosto um resto de frescura.
Já coseu alpergatas e
bandeiras verdadeiras.
Amargou a pobreza até ao fundo.
Dos ossos fez as mesas e as cadeiras,
as maneiras
que a fazem estar sentada sobre o mundo.
Neste jardim ela
à trepadeira das canseiras
das rugas onde o tempo
é mais profundo.
Num banco de jardim uma velhinha
nunca mais estará sozinha,
o futuro está com ela,
e abrindo ao sol o negro da
sombrinha poidinha,
o sol vem namorá-la da janela.
Se essa velhinha fosse
a mãe que eu quero,
a mãe que eu tinha,
não havia no mundo outra mais bela.
Num banco de jardim uma velhinha
faz desenhos nas pedrinhas
que, afinal, são como eu.
Sabe que as dores que tem também são minhas,
são moinhas do filho a desbravar que Deus lhe deu.
E, em volta do seu banco, os
malmequeres e as andorinhas
provam que a minha mãe nunca morreu.


quarta-feira, agosto 25, 2004

Alfama é fácil de Amar


sábado, agosto 21, 2004

Um arquivo da minha memória


Sou um, dos muitos que vieram para o mundo exterior, na lisboeta Maternidade Alfredo da Costa.

Saí de lá para a Rua da Adiça, no típico Bairro de Alfama onde os meus Pais, alentejano do Alto e beirã da Baixa. residiam há alguns anos, na companhia do meu único irmão, cerca de 12 anos mais velho.

Há muitos anos que não deambulo pela Alfama profunda, que eu deixei desde que regressei da guerra colonial, indo residir para Freguesia de S. Vicente de Fora, na fronteira entre o Bairro da Graça e o de Marvila. Durante nove anos, dada a proximidade, ainda percorri com uma certa frequência aquelas ruas, ruelas, becos, escadinhas e vielas. Depois foi a mudança para o concelho de Oeiras, onde espero permanecer até ser solicitado para outra dimensão.

Esta pretende ser uma pequena homenagem ao Bairro que me viu crescer. Onde fiz a então designada Escola Primária. E posteriormente, já durante a minha adolescência e o meu curso Secundário, onde tinha o vicio terrível de ler até altas horas da madrugada, deitado na cama embutida num móvel estante do meu pequeno quarto / escritório.

Foi nessa casa, na Rua da Adiça, com três pequenas divisões, um estreitíssimo corredor de acesso para a pequena cozinha, que tinha embutida uma minúscula casa de banho, onde comecei a adquirir a minha percepção do Mundo.

Vou tentar retirar do arquivo da minha memória, algumas recordações, boas, más e assim, assim...

Sem saudosismos, espero ter a capacidade de transmitir através da escrita, aquilo que o leitor do meu cérebro me permitir ouvir e visualizar e que se para tal tiver "engenho e arte", transmitir as imagens do que vier a escrever, para quem tenha a paciência de perder tempo com as minhas recordações.

Ao terminar este primeiro texto, faço daqui um apelo a todos quantos me puderem ajudar, no sentido de me enviarem através de email fotografias ou textos que considerarem interessantes de figurar neste espaço.