sexta-feira, setembro 03, 2004

A ROSEIRA NÃO SERÁ ESQUECIDA


A Rosa,
Rosa das escuras ruas de Alfama,
Era rosa
Filha de Roseira Brava
Que vendia sardinha de Barrica.

A Rosa
Não nasceu num berço de oiro
Nem nasceu menina rica.
Sua mãe a pariu
Quase morta
Numa manhã invernosa
A caminho da lota.

A Rosa
Filha de Roseira Brava
Que vendia sardinha de Barrica.
Não se quedou apregoando sardinha
Pelas ruas da Regueira
Ou vendendo seu corpo lesto
Pelos bares tristes da Ribeira.

A Rosa,
Rosa das escuras ruas de Alfama,
Filha de Roseira Brava
Que vendia sardinha de Barrica.
Parida quase morta
A caminho da lota,
Que não teve berço de oiro
Nem nasceu para ser rica
Morreu pela Liberdade!
Morreu vendendo a vida.
E agora dizem em Alfama
Que a Rosa não será esquecida.

1969

Rogério

(homenagem à mulher trabalhadora de Alfama)


Os meus sinceros agradecimentos ao Amigo Rogério Simões, que correspondeu ao meu apelo enviando-me um belo poema que eu tenho todo o gosto em publicar e partilhar convosco.